The Legend of Khiimori, previsto para março de 2026 no Steam, tem chamado atenção ao substituir a típica fantasia de poder por uma jornada intimista de entrega de mensagens em plena Mongólia do século XIII. Quem espera mais um sandbox genérico pode se surpreender: o jogo coloca a relação entre cavaleiro e montaria no centro da experiência, esvaziando o mapa de distrações e preenchendo-o com decisões táticas.
Desenvolvido pelo estúdio independente Baruun Games, o título abraça influências de Red Dead Redemption 2, Kingdom Come: Deliverance e Death Stranding, mas busca sua própria identidade a partir do clima, da fauna e das rotas quase espirituais que atravessam as estepes. A promessa é ambiciosa: transformar cada quilômetro em narrativa emergente, onde clima e terreno moldam o destino do mensageiro.
Um mundo aberto que respira ao ritmo dos cavalos
Do ponto de vista técnico, The Legend of Khiimori aposta em um ecossistema dinâmico. Tempestades de areia reduzem a visibilidade, nevascas drenam a estamina dos animais e a transição gradual entre pradarias e montanhas obriga o jogador a escolher rotas menos óbvias. Tudo isso lembra a vivacidade do Velho Oeste retratado pela Rockstar, mas deslocado para paisagens asiáticas ainda pouco exploradas pelos games.
Cada cavalo possui atributos próprios: resistência, velocidade em declive, tolerância ao frio e, principalmente, temperamento. A mecânica de criar, treinar e nomear os animais substitui o tradicional upgrade de armas. Quem negligenciar escovação e alimentação corre o risco de ver o companheiro empacar em pleno desfiladeiro. Nesse aspecto, a interdependência entre humano e montaria vai além do que vimos em Arthur Morgan e sua égua: aqui, o fracasso do cavalo é o fracasso da missão.
Imersão medieval inspirada em Kingdom Come: Deliverance
Assim como o RPG da Warhorse Studios, The Legend of Khiimori remove conveniências modernas. Não há viagem rápida, inventário infinito ou pausa para artesanato seguro. O forrageamento de ervas, a caça de pequenos animais e o preparo de refeições acontecem em tempo real, sob risco de ataques de lobos e mudanças repentinas de clima.
Essa escolha reforça a sobrevivência como pilar. O peso da bagagem afeta a agilidade do cavalo, a madeira úmida complica acampamentos e a carne estraga caso não seja curada. Detalhes que podem afastar quem busca ação frenética, mas que seduzem o público ávido por simulações históricas. É nesse nicho que o Blockbuster Online percebe potencial para engajamento duradouro, parecido com a longevidade de títulos de nicho citados em relatórios de mercado.
A influência contemplativa de Death Stranding
Hideo Kojima transformou o ato de caminhar em obra de design, e Baruun Games tenta algo semelhante sobre selas. Em vez de exoesqueletos e moto futurista, o mensageiro ergue yurtas temporárias e utiliza selas artesanais para distribuir o peso. A leitura do relevo, quase topográfica, converte cada viagem em puzzle silencioso: vale atravessar as dunas agora ou esperar o nascer do sol para evitar o calor?
Imagem: Internet
O estúdio montou sistemas de reputação baseados na pontualidade das entregas e na integridade dos pergaminhos transportados. Se o jogador optar por atalhos arriscados, pode ganhar tempo, mas danificar o lacre imperial e receber menos pagamento. A tensão, portanto, migra do combate direto para a logística, lembrando as decisões de Sam Bridges sobre amarras e empilhamento de caixas.
Semeando expectativas antes da chegada ao Steam
Previsto para PC, The Legend of Khiimori já recebeu feedback positivo em demonstrações fechadas, embora testes tenham apontado animações faciais travadas e colisões esporádicas entre cavalo e rochas. A Baruun Games garantiu que polimento visual e acessibilidade terão prioridade até o lançamento.
Mesmo assim, a profundidade sistêmica desponta como principal trunfo. Quem se frustra com a queda de atividade em projetos promissores, caso de Highguard no Steam, tende a olhar com cautela para novos mundos abertos. Ainda assim, a combinação de sobrevivência, gerenciamento de cavalo e narrativa ambiental posiciona Khiimori como um sopro de originalidade em meio ao calendário de 2026.
Vale a pena ficar de olho?
Para quem busca combates épicos, The Legend of Khiimori talvez soe contido. Contudo, jogadores fascinados por sistemas interligados, paisagens históricas autênticas e vínculos animais encontrarão aqui uma experiência focada, quase meditativa. A data de março de 2026 permite tempo suficiente para o estúdio ajustar detalhes, enquanto a comunidade adiciona o título à lista de desejos do Steam e participa de fóruns sobre rotas ideais entre planícies e montanhas. O veredito final depende de como esses ajustes chegarão à versão definitiva, mas a premissa já demonstra coragem em transformar a solidão do mensageiro na grande protagonista da aventura.
