Lançado nos cinemas de Taiwan em 5 de setembro de 2025 e recém-chegado ao catálogo da Netflix, 96 Minutos não demorou a virar fenômeno internacional. Foram 3,1 milhões de visualizações e 6,1 milhões de horas assistidas apenas na primeira semana em que o longa entrou no Top 10 global de produções não faladas em inglês — de 26 de janeiro a 1º de fevereiro de 2026.
Dirigido por Hung Tzu-hsuan, o thriller mantém dois trens carregados de passageiros como palco para uma corrida contra o relógio. A janela é curta, a tensão é longa e o público embarca sem opção de freio de emergência.
Um suspense que chega acelerado à Netflix
O enredo acompanha Song “A-Ren” Kang Ren (Austin Lin), especialista em desarmar explosivos que tenta equilibrar trauma profissional com a vida pessoal. A jornada ganha contornos mais íntimos quando o personagem descobre que está no mesmo vagão que a noiva (Vivian Sung), a mãe e o capitão Li Jie (Lee Lee-zen). De repente, todos viram reféns de um terrorista ligado ao passado de A-Ren.
O roteiro entrega conflitos claros em poucos minutos e distribui informações em doses que impedem o espectador de “descer” do trem. A metragem total, próxima de duas horas—apesar do título cravado no relógio—, faz sentido na prática: cada escolha moral tem peso, cada segundo conta. É o mesmo efeito “uma sentada” que costuma atrair quem procura séries da Netflix perfeitas para maratonar, só que condensado em um filme.
Atuações que sustentam cada segundo de 96 Minutos
Austin Lin conduz a trama como alguém que conhece bem o vazio deixado por decisões extremas. Seu olhar vacila entre culpa e pragmatismo, reforçando a ideia de que A-Ren é refém dos próprios protocolos. Vivian Sung, por sua vez, humaniza a crise: sua Huang Xin não é mero refém romântico, mas voz de quem exige respostas rápidas em meio ao caos.
Wang Po-chieh e Eleven Yao, ainda que tenham menos tempo de tela, oferecem nuances aos passageiros comuns, tornando o dilema coletivo mais palpável. Já Lee Lee-zen encarna o capitão Li com rigidez quase militar, equilíbrio fundamental para o embate psicológico com o vilão. O conjunto de interpretações faz o suspense permanecer verossímil, afastando o filme de comparações fáceis com produções mais fantasiosas, como blockbusters de super-heróis.
Direção e roteiro apertam o relógio
Hung Tzu-hsuan entrega um desenho de produção claustrofóbico. A câmera circula pelos corredores estreitos, corta para os trilhos e volta aos rostos suados, criando um ritmo que lembra clássicos de “trem em perigo”, mas com assinatura própria. Não há zombaria visual: tudo é funcional para amplificar a ansiedade de quem assiste.
No papel, o roteiro explora de forma direta o “problema do bonde” — dilema filosófico que questiona quantas vidas valem o sacrifício de outras. Diferente de longas que recorrem a zumbis ou distopias, 96 Minutos é pé no chão; pessoas comuns viram números em uma equação feita por um criminoso com motivações pessoais. Esse ponto aumenta o interesse de fãs de dramas morais, algo que Blockbuster Online tem observado como tendência recente.
Imagem: Internet
Debate ético além do vagão
O vilão, cuja identidade se conecta a eventos anteriores da carreira de A-Ren, costura uma armadilha que coloca passageiros dos dois trens uns contra os outros. O filme questiona: salvar a maioria continua sendo ético quando você conhece quem está nos dois lados do trilho? Essa camada reflete discussões recentes na cultura pop sobre sacrifício e responsabilidade, vistas de maneira diferente em franquias como “Vingadores” ou na série “Fallout” — cuja segunda temporada promete elevar o drama dos personagens.
Enquanto isso, a montagem alterna close-ups com planos gerais do maquinista, reforçando que o risco é real e, sobretudo, irreversível. O som metálico do trilho, quase constante, serve como “tic-tac” para lembrar o público de que o tempo está correndo.
Vale a pena assistir 96 Minutos?
Para quem procura um thriller enxuto, sem criaturas fantásticas ou efeitos mirabolantes, 96 Minutos entrega o pacote completo: tensão contínua, elenco afiado e questionamentos morais que ecoam após os créditos. O longa ainda destaca uma safra de atores taiwaneses com alcance global, reforçando a diversidade de vozes que despontam na plataforma de streaming.
A performance de Austin Lin é o fio condutor, mas o mérito se espalha pelo elenco e pela direção contida de Hung Tzu-hsuan. A ausência de pausas desnecessárias facilita a maratona e faz o espectador compartilhar a sensação de estar sob o mesmo teto — ou melhor, sob o mesmo teto metálico — que os personagens.
No fim, o filme mostra que, mesmo sem ser o “mais inventivo” entre thrillers sobre trens, há espaço para histórias bem contadas que se apoiam em escolhas éticas difíceis e atuações sólidas. Se a sua página inicial da Netflix sugerir 96 Minutos, embarque; o destino pode não ser confortável, mas a viagem vale o bilhete.
