O primeiro trailer de Toy Story 5 deixou claro que a Pixar está disposta a revisitar ingredientes já testados: medo de substituição, fuga eletrizante e muito conflito entre Woody e Buzz. A repetição é assumida de forma quase debochada, como se o longa quisesse lembrar ao público que, às vezes, a familiaridade é parte do encanto.
Mesmo assim, a prévia aponta para discussões novas, incluindo o envelhecimento dos brinquedos e as memórias de Jessie. Tudo temperado pelo retorno das vozes que transformaram a saga em fenômeno cultural. O título, previsto para 19 de junho de 2026, chega num momento em que a Pixar busca reafirmar relevância após alguns tropeços recentes.
Vozes clássicas mantêm o coração da franquia
Tom Hanks e Tim Allen voltam a dividir a cabine de gravação como Woody e Buzz Lightyear. Os dois atores já demonstraram, ao longo de quase três décadas, sintonia suficiente para transformar qualquer diálogo bobo em ouro emocional. No trailer, basta ouvir Buzz questionar o velho amigo com um “será que nunca aprendemos?” para sentir o entrosamento intacto.
Coadjuvantes também reforçam a química. Joan Cusack, como Jessie, surge com carga dramática extra ao confrontar a novata Lilypad no quarto de Bonnie. A lembrança dolorosa de Emily, sugerida em poucos segundos, promete dar à atriz espaço para nuances que faltaram em Toy Story 4. Já Wallace Shawn (Rex) rouba a cena com o desabafo “extinção… de novo?”, piada que funciona como crítica interna ao looping narrativo.
Direção de Andrew Stanton abraça autorreferência
Andrew Stanton, que assina direção e roteiro, parece decidido a lançar mão de todo o repertório acumulado em Procurando Nemo e WALL·E. A montagem da prévia privilegia callbacks, como Woody e Buzz pendurados no para-choque de um carro em alta velocidade, imagem que ecoa o clímax do primeiro filme de 1995.
Essa coleção de ecos visuais revela intenção clara: transformar Toy Story 5 em carta de amor à própria série. Em vez de esconder a reciclagem, Stanton a transforma em ponto de discussão, assim como a Marvel fez na fase atual de seu universo cinematográfico, reconhecendo sua montanha-russa criativa. O filme assume a pressão do déjà-vu e convida o espectador a rir disso junto com os personagens.
Roteiro revisita o medo da obsolescência, mas com novas camadas
A invasão de Lilypad, brinquedo ultratecnológico que toma conta do quarto de Bonnie, faz eco direto às chegadas de Buzz, Wheezy e até à ida dos brinquedos para o sótão em Toy Story 3. A diferença, agora, é a consciência plena dos protagonistas sobre o ciclo infinito de trocas. Buzz chega a reunir um exército de versões idênticas de si mesmo, cena que lembra o clima de guerra de pequenos soldados, só que com humor autorreferente.
Além disso, a possível calvície de Woody indica que a narrativa vai explorar o desgaste físico dos brinquedos, algo inédito. O artifício abre espaço para discutir envelhecimento e finitude, temas que podem aproximar o roteiro de Stanton dos questionamentos existenciais de WALL·E. Caso se confirme, Tom Hanks terá a oportunidade de entregar uma interpretação ainda mais colada na fragilidade de seu personagem.
Imagem: Internet
Nostalgia como ferramenta, não muleta
Musicalmente, “You’ve Got a Friend in Me” surge no trailer quase como sussurro, evitando o truque sentimental fácil. A trilha aponta para uso calculado da nostalgia, recurso que pode cativar antigos fãs sem afastar novos públicos. O breve casamento imaginário de Forky confirma que a equipe segue apostando em sequências de faz-de-conta para injetar energia cinematográfica.
Pelo que se vê, o objetivo é equilibrar referências explícitas — como o modo espanhol ativado acidentalmente em Lilypad — com situações inéditas. A escolha remete ao que Blockbuster Online observou em outras franquias que souberam dosar passado e presente, caso de Monarch: Legado de Monstros, cujo clipe recente apresentou o Psychovulture sem abandonar a mitologia da Ilha da Caveira.
Vale a pena contar os dias para assistir a Toy Story 5?
Se a qualidade da animação se mantiver no padrão Pixar, há fortes indícios de que Toy Story 5 oferecerá diversão segura. O retorno de Hanks, Allen e Cusack garante performance vocal afiada, enquanto a direção de Stanton demonstra consciência do desafio de soar repetitivo sem entediar.
Ainda assim, o estúdio não é mais sinônimo automático de perfeição, como mostraram Lightyear e Elio. O quinto capítulo carrega, portanto, a missão de provar que a franquia dos brinquedos falantes continua relevante em um mercado saturado de sequências.
Por agora, o trailer cumpre o papel de reacender o afeto do público, deixando no ar a pergunta essencial: será que Woody e Buzz têm mesmo algo novo a dizer depois de tantos finais emocionantes? A resposta chegará somente quando Toy Story 5 estrear nos cinemas em junho de 2026.
