“Homem-Aranha: No Way Home” está no seu melhor e pior quando relembra outros filmes. Não só adota muitos, muitos linhas de diálogo dos filmes de Raimi, também mergulha nos visuais tripulantes de “Doctor Strange”, dando a sua estética (reconhecidamente ainda plana e desigual) um toque de empolgação. Há uma alegria infantil em ver Molina repetir as falas mais famosas de seu personagem (“o poder do sol … em minha mão”), mas também uma grande tristeza em ver essa linha tão separada de seu contexto que parece uma sátira. “No Way Home” não consegue resistir a zombar do drama intensificado dos filmes de Raimi, com suas costumeiras falas simplórias sobre os “nomes verdadeiros” das pessoas e “cuidado com os tanques tóxicos em que você cai”. Mas, apesar da presunção que é herdada de seus irmãos MCU, há uma sinceridade horrível no Peter Parker da Holanda que continua a encantar e brilha mais no rosto de vilões descomunais como o Duende Verde de Dafoe. Dafoe assume o papel como se nunca tivesse saído, exibindo aquele mesmo sorriso desequilibrado e olhos arregalados e firmes, caindo direto naquela voz assustadora de Goblin que ele adotou para o lado negro de Norman Osborn. Não é nenhuma surpresa que Dafoe seja o vilão que foge com o filme e torna-se o principal motor do conflito de Peter.

E ainda, apesar de suas falhas, apesar da natureza flagrante do serviço de fãs, ele funciona. Tão desajeitadamente executado quanto pode ser, o fan service não precisa necessariamente ser uma coisa ruim, especialmente quando atende a um propósito temático mais amplo: lutar contra o legado do Homem-Aranha. Os vilões multiversais estão fadados a morrer nas mãos do Homem-Aranha, Peter Parker descobre. Aonde quer que o Homem-Aranha vá, “segue-se a morte e a destruição”, grita J. Jonah Jameson. Mais tarde, Peter tem que se confrontar e confrontar seu legado de uma forma que joga com a nostalgia das duas últimas séries “Homem-Aranha”, enquanto na verdade serve ao personagem de Peter. É um casamento feliz de fan service e escrita de personagens que finalmente funciona – apesar das brincadeiras e riffs prolongados entre alguns personagens.

Se você abrir muitos buracos na narrativa, “Homem-Aranha: No Way Home” começa a se desfazer. Mas se você levar isso ao pé da letra, é um balanço doce e comovente de um filme do “Homem-Aranha” que (principalmente) consegue pousar.

/ Classificação do filme: 7 de 10

Fonte: www.slashfilm.com

Deixe uma resposta