Quem acompanha os lançamentos da A24 já sabe que o estúdio gosta de reinventar o terror. Com “Undertone”, produção comandada por Ian Tuason, essa tradição ganha um novo capítulo focado em som imersivo e atmosfera paranoica.
O longa, que venceu prêmios na edição 2025 do Fantasia International Film Festival, chega aos cinemas em 13 de março de 2026. A prévia divulgada essa semana reforça: assistir em casa pode significar perder metade do impacto.
Enredo: terror psicológico guiado por uma única presença em cena
“Undertone” acompanha Evy Babic (Nina Kiri), podcaster cética que divide o microfone com Justin (Kris Holden-Ried). Quando a protagonista volta à cidade natal para cuidar da mãe doente, recebe fitas anônimas recheadas de ruídos perturbadores, vozes sussurradas e cantigas infantis fora de tom. A partir daí, medo e paranoia tomam conta da trama.
O detalhe curioso é que Evy é a única personagem a aparecer fisicamente no quadro. Os demais integrantes do elenco — inclusive a própria mãe, vivida por Michèle Duquet — surgem apenas como vozes. Esse recurso mantém o espectador colado ao ponto de vista da protagonista, reforçando o caráter intimista do horror.
Som imersivo coloca o público dentro da cabeça de Evy
Segundo o diretor Ian Tuason, toda a tensão de “Undertone” depende do desenho de som. O filme foi concebido para explorar ruídos agudos, silêncios prolongados e explosões sonoras repentinas, técnicas que disparam respostas biológicas de susto e alerta. Sem um sistema surround competente, parte dessa engenharia de medo simplesmente se perde.
A primeira amostra no trailer já entrega berros distorcidos, cantigas infantis dissonantes e cochichos que parecem circular pela sala. Em um celular ou TV comum, os canais de áudio se comprimem; em uma sala equipada, o espectador sente cada ruído atravessar o ambiente — sensação essencial para o terror que Tuason propõe.
Biologia do susto: por que o áudio assusta mais que a imagem
Estudos sobre percepção mostram que sons inesperados ativam nosso sistema de “luta ou fuga” mais rápido que estímulos visuais. “Undertone” se apoia justamente nesse gatilho: alterna silêncio absoluto com picos de volume, disparando a adrenalina antes mesmo de a mente racional processar a ameaça.
Comparações inevitáveis com outros thrillers sonoros
Embora trabalhe base semelhante a produções como “White Noise” e “Pulse”, o novo filme da A24 se diferencia pelo protagonismo de apenas uma atriz em tela. Essa decisão estilística faz do áudio o verdadeiro antagonista. De cada lado da sala, vozes e rangidos cercam Evy — e, por tabela, o público.
A releitura moderna também lembra “Frequency” pela troca de mensagens misteriosas, mas aqui não há conforto nostálgico. Tudo foi arquitetado para que o espectador duvide dos próprios ouvidos, sensação amplificada quando não há distrações externas típicas do lar.
Ficha técnica e data de estreia
Lançamento: 13 de março de 2026 (exclusivamente nos cinemas)
Duração: 84 minutos
Direção e roteiro: Ian Tuason
Elenco principal: Nina Kiri (Evy Babic), Kris Holden-Ried (Justin), Michèle Duquet (Mama), Keana Bastidas (Jessa)
Produção: Cody Calahan e Dan Slater
Imagem: Internet
Reconhecimento prévio em festival
No Fantasia International Film Festival de 2025, “Undertone” saiu premiado e passou a circular em fóruns especializados de horror. A combinação de narrativa minimalista e engenharia de som causou burburinho entre críticos, que classificaram a experiência como “necessária em tela grande”.
Por que ver “Undertone” na sala escura faz diferença
Assistir ao longo em home theater modesto, televisão ou — pior — smartphone limita a separação de canais que coloca o espectador dentro da história. Na sala de cinema, o áudio multicanal cria camadas de profundidade. É possível, por exemplo, ouvir um sussurro atrás do ombro direito enquanto Evy encara o vazio na tela.
Além disso, o ambiente coletivo reduz interrupções. Sem notificações de apps nem luzes externas, cada detalhe sonoro atinge em cheio. A proposta de Tuason depende justamente desse isolamento sensorial que o cinema proporciona.
A24 reforça reputação de inovar no terror
Depois de títulos como “Hereditário” e “Midsommar”, a distribuidora volta a apostar em ideias fora do convencional. “Undertone” é mais curto que a média, com 84 minutos, mas promete usar cada segundo para mergulhar o público em tensão ininterrupta.
Para quem acompanha o BlockBuster Online em busca de novidades sobre filmes e séries, vale marcar no calendário: 13/03/2026. Mesmo que a produção ganhe lançamento digital no futuro, a chance de sentir as ondas sonoras percorrendo a sala existe apenas na exibição de estreia.
Expectativa do público especializado
Com Nina Kiri segurando praticamente toda a narrativa sozinha, críticas iniciais elogiam a entrega da atriz e o controle preciso de Tuason sobre ritmo e clima. A atuação sustenta a solidão de Evy, enquanto o áudio preenche cada brecha, criando sensação de que algo está sempre à espreita fora de quadro.
Se a recepção em Fantasia se repetir no circuito comercial, “Undertone” pode consolidar-se como referência em terror sonoro. E, ao que tudo indica, virar mais um argumento a favor do compromisso cinéfilo de sair de casa para sentir o verdadeiro impacto de um filme.
