Wonder Man chegou ao Disney+ sem a forte campanha de marketing que costuma anteceder as produções da Marvel, mas rapidamente conquistou atenção graças a uma proposta mais pé no chão. A série apresenta o ator fracassado Simon Williams, que precisa lidar com poderes recém-adquiridos enquanto tenta sobreviver à competitiva Hollywood.
O resultado é um drama cômico que privilegia atuação e texto em vez da pirotecnia habitual do Universo Cinematográfico Marvel (MCU). A comparação com Andor, de Star Wars, tornou-se inevitável: ambas abandonam símbolos clássicos de suas franquias para contar uma história centrada em gente comum.
Atuações que sustentam a narrativa
Yahya Abdul-Mateen II tem espaço de sobra para explorar as inseguranças de Simon Williams. O ator equilibra humor autodepreciativo com momentos de vulnerabilidade, criando um protagonista que se sustenta mesmo quando não está usando seus poderes.
Ben Kingsley retorna ao MCU como Trevor Slattery e funciona quase como mentor relutante. A química entre a dupla rende alguns dos melhores diálogos da temporada, especialmente nas sequências que expõem o lado mais cínico da indústria do entretenimento.
Com elenco reduzido, cada participação importa. Quando Kingsley divide cena com Abdul-Mateen II, a série evidencia o contraste entre um veterano cansado e um novato desesperado por relevância, reforçando o tom intimista que permeia toda a produção.
Direção privilegia o cotidiano em vez do espetáculo
A direção alterna planos fechados e enquadramentos que lembram bastidores de produções independentes. A escolha aumenta a sensação de claustrofobia que Simon enfrenta ao esconder suas habilidades em um meio obcecado por aparência.
Não há batalhas espaciais nem portais no céu; as poucas cenas de ação focam em mostrar a reação dos personagens e as consequências emocionais. É um tipo de abordagem que lembra como Star Trek: Academia da Frota Estelar também apostou em desempenho de elenco para renovar uma franquia clássica.
Imagem: Internet
Roteiro aposta em Hollywood como espelho do herói
Andrew Guest assina um roteiro que usa a cidade dos estúdios como labirinto psicológico. A cada teste de elenco ou reunião com agentes, Simon confronta a pergunta que assusta super-heróis e atores: quem decide quem você é?
Essa reflexão ganha força quando a série mostra como fofocas e manchetes moldam narrativas, algo que lembra o impacto da cultura pop em blockbusters como Vingadores: Ultimato. Aqui, porém, o roteiro inverte a lógica: não se trata de proteger o mundo, mas de proteger a própria identidade.
O lugar de Wonder Man dentro do MCU
A ausência de conexões óbvias com Vingadores ou Guardiões da Galáxia é deliberada. Ao colocar superpoderes em segundo plano, a Marvel testa novos formatos para a fase pós-Saga do Infinito, reforçando a variedade que o estúdio promete para os próximos anos.
Do ponto de vista de franquia, Wonder Man abre caminho para histórias menores, mas não menos relevantes. Se funcionar nos números de audiência, pode influenciar futuros projetos a buscarem escalas narrativas mais enxutas, como já acontece em dramas políticos aclamados, caso de A Diplomata, que mantém alta aprovação mesmo longe de explosões e CGI.
Vale a pena assistir Wonder Man?
Para quem procura um respiro dos conflitos cósmicos do MCU, Wonder Man oferece humor agridoce, comentários sobre fama e um retrato sincero da luta por autoaceitação. A série não promete batalhas épicas, mas entrega atuações sólidas e um olhar diferente sobre o que significa ser herói — ingredientes que fazem dela um acréscimo bem-vindo ao catálogo da Marvel e ao universo de análises aqui do Blockbuster Online.
