Março costuma ser um mês morno no calendário gamer, mas a Microsoft decidiu mudar o jogo em 2026. A empresa confirmou quatro títulos que entram no Xbox Game Pass logo na virada do mês, equilibrando clássicos remasterizados, sequências triplo A e produções independentes de olho na crítica.
O anúncio chega poucos meses depois do reajuste de preços do serviço, pauta que gerou protestos tão sonoros quanto aqueles vistos quando Skate esbarrou num paywall de mapas. Para contornar o desgaste, a Microsoft aposta em variedade, oferecendo desde RPGs por turno até city builder com intervenção divina.
Clássicos ganham vida: Final Fantasy 3 Pixel Remaster chega em 3 de março
Com assinatura marcada para 3 de março, Final Fantasy 3 – Pixel Remaster representa mais um passo da Square Enix na missão de modernizar a era 8-bit da franquia. A atualização mantém os sprites originais, mas aposta em iluminação redesenhada, novos arranjos musicais e qualidade de vida revisada para o público contemporâneo.
Embora o enredo ainda reflita a simplicidade de 1990, o trabalho de Yoshinori Kitase na supervisão da história e a direção de arte de Kazuko Shibuya conferem charme renovado. O time de roteiristas preservou o arco de quatro órfãos escolhidos pelos Cristais, mas adicionou diálogos extras que aprofundam motivações — detalhe bem-vindo a quem já criticava a versão original por falta de densidade.
Na parte sonora, Nobuo Uematsu revisita partituras icônicas, entregando camadas de orquestra que preenchem a aventura com a grandiosidade sempre almejada pela série. Para quem acompanha o catálogo do Game Pass, o Pixel Remaster complementa a coleção iniciada com os dois primeiros capítulos da saga, sinal de que Final Fantasy 4 pode ser o próximo da fila.
Medievalismo realista retorna em Kingdom Come: Deliverance 2
Lançado no mesmo dia 3, Kingdom Come: Deliverance 2 chega ao catálogo Premium com o peso de ter disputado o prêmio de Jogo do Ano em 2025. A narrativa escrita por Daniel Vávra leva o jogador novamente à Boêmia do século XV, agora com foco em intrigas políticas que precedem as Guerras Hussitas.
O destaque técnico recai sobre a performance de Tom McKay, que volta a emprestar voz e captura de movimentos ao protagonista Henry. McKay entrega um personagem menos ingênuo, mais calejado pelos eventos do primeiro jogo. A direção de atores de Martin Klíma organiza cenas de corte que rivalizam com produções televisivas de época, mérito também da fotografia digital que adota cores terrosas e iluminação naturalista.
Em termos de gameplay, Warhorse Studios refina o sistema de combate, aproximando-o da esgrima histórica. Quando combinado à trilha original orquestrada por Jan Valta, o resultado mergulha o jogador numa experiência que lembra a imersão almejada pela franquia The Witcher. Um lembrete oportuno de como as discussões sobre preservação digital, acesas após a saída de Metal Gear Solid: Peace Walker da loja da Microsoft, ganham ainda mais força quando continuidades como Kingdom Come são facilmente acessadas via assinatura.
Indie premiado: Planet of Lana 2 — Children of the Leaf estreia em 5 de março
Dois dias depois, em 5 de março, chega Planet of Lana 2: Children of the Leaf, disponível apenas para quem assina o plano Ultimate ou PC. A sequência, novamente dirigida por Adam Stjärnljus, expande o universo do primeiro jogo sem abrir mão da estética aquarelada que rendeu prêmios de direção de arte em 2023.
Imagem: Internet
A dublagem sensível de Su Lin Drammeh retorna, agora mais carregada de urgência, pois a protagonista enfrenta uma ameaça biológica que devasta a lua de Novo Eridu. O roteiro escrito por Stjärnljus e Anders Hejselbjerg investe em temas ambientais e dilemas morais, questionamentos que ressoam com a geração que cresceu entre fóruns sobre sustentabilidade e maratonas de documentários.
Na parte mecânica, a Wishfully Studios aprimora os puzzles de sincronização com criaturas locais, recurso que ganhou a simpatia de veteranos de aventuras contemplativas como Inside. O estúdio, inclusive, cita em entrevistas que observou builds de Diablo 2 Resurrected para entender como balancear progressão sem tirar o foco da narrativa, uma curiosa ponte entre gêneros que reforça o caráter experimental do projeto.
Estratégia e deuses romanos em Nova Roma, previsto para 26 de março
Encerrando o mês, Nova Roma desembarca em 26 de março em acesso antecipado, liberado para PC Game Pass e Ultimate. Desenvolvido pela Axiomatik, o jogo combina construção de cidades com interferência divina, pedindo ao jogador que gerencie diplomacia, economia e ira dos deuses.
Apesar de ainda em fase inicial, o diretor criativo Julius Montani já recebeu elogios pela narrativa emergente que surge das mecânicas. O time de roteiristas conta com Antonia Ferri, especialista em história romana, garantindo verossimilhança nos eventos disparados pelo motor procedural. Há algo de Tropico na sátira política e um flerte com a fantasia histórica vista em Age of Mythology.
Destaque também para o trabalho de voz de Claudio Santoro, que interpreta Júpiter com uma mistura de majestade e sarcasmo digno de séries como Good Omens. Para quem se interessa por city builders e busca frescor no gênero, Nova Roma desponta como experimento ambicioso, principalmente quando lembramos que sucessos independentes como Palworld chamaram atenção ao permitir façanhas como a construção de uma torre de 243 andares sem mods.
Vale a pena assinar o Game Pass em março de 2026?
O pacote de março reúne experiências distintas, mas complementares. Os fãs de RPG em turnos ganham com o resgate histórico de Final Fantasy 3, enquanto quem busca realismo medieval encontra profundidade em Kingdom Come: Deliverance 2. Por sua vez, Planet of Lana 2 oferece respiro poético entre batalhas e, finalmente, Nova Roma convida à estratégia temperada por mitologia. No fim, o Xbox Game Pass reafirma a ideia de curadoria variada para públicos diversos, movimento que o site Blockbuster Online acompanha de perto sempre que analisa novidades de assinatura.
